LEIA MAIS@ 23/02/2024 - 16h11 | Presidente acolhe pedido de portões fechados ao Sport
LEIA MAIS@ 23/02/2024 - 12h59 | STJD e ENAJD no 1º Congresso do TJD/AC
LEIA MAIS@ 23/02/2024 - 10h29 | Procuradoria pede jogos do Sport sem torcida
LEIA MAIS@ 22/02/2024 - 19h08 | Pleno nega garantia a SAF Botafogo
LEIA MAIS@ 22/02/2024 - 16h00 | Operário e CSA multados por confronto de torcidas

Gerente, presidente e atleta do Corinthians punidos
29/11/2023 16h00 | STJD

Divulgação
a A

O Corinthians teve três baixas no Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol por infrações na partida contra o Grêmio. Julgados nesta quarta, 29 de novembro, o gerente de futebol Alessandro Nunes foi suspenso no total de 60 dias e multado em R$ 10 mil por tentar invadir a sala do var e por ofender a arbitragem, enquanto o presidente Duilio Monteiro suspenso por 15 dias e multado em R$ 10 mil por ofender a arbitragem. Expulso em campo, Bruno Cittadini foi suspenso por dois jogos por jogada violenta. Também expulso e enquadrado por jogada violenta, o Grêmio teve o atleta Bruno Alves punido com uma partida de suspensão. A decisão é de primeira instância e deve chegar ao Pleno.

A Procuradoria da Justiça Desportiva denunciou e pediu a suspensão preventiva do gerente de futebol Alessandro Nunes do Corinthians, por tentativa de invasão da sala do var, danificar a praça de desporto, ofender e ameaçar a arbitragem na partida contra o Grêmio. O pedido foi encaminhado para análise do presidente José Perdiz de Jesus, que deferiu a preventiva no último dia 21 de novembro. Também denunciados, o presidente Duilio Monteiro foi enquadrado por tentativa de invasão e ofensa contra a arbitragem e os atletas expulsos em campo, Bruno Cittadini, do Corinthians, e Bruno Alves, do Grêmio, por praticarem jogada violenta na partida. (veja detalhes da denúncia)

O que sustentaram as partes:

Diante da Comissão Disciplinar, Procuradoria e defesas juntaram prova de vídeos da partida.

A denúncia foi mantida e sustentada pelo Subprocurador-geral Rafael Bozzano.

“A falta do Bruno Citaddini tinha um poder de trazer uma gravidade ao atleta e atingiu o tornozelo. Atleta reincidente e que sejam analisados os antecedentes. Ao atleta Bruno Alves pela procedência da denúncia.

Alessandro Nunes, confesso que é extremamente grave, a conduta praticada, a repercussão. Num ato de fúria pensado tentou invadir a sala onde ficam os equipamentos do var e que é vedado o seu acesso. Consta na ficha dele uma punição também ao artigo 258-B de 2022. O atigo 178 fala de levar em conta a gravidade, maior ou menor extensão, os meios empregados, os antecedentes ... fatos extremamente graves. O fato de ter ocorrido um erro de arbitragem não habilita os denunciados de fazerem valer com as próprias mãos o que querem. As imagens estão aqui para comprovar e contra o Alessandro foram quatro condutas. Existiu a ameaça, ofendeu e chamou a arbitragem de ladrões.

O presidente Duilio da mesma forma por invadir no artigo 258-B e ofender a arbitragem no artigo 243-F. Presidente do clube chamar a arbitragem de ladrões, pela procedência e que se leve em consideração a gravidade na conduta. Todos devidamente identificados. As condutas praticadas envergonham o futebol brasileiro e trazem sim uma carga de ofensa, uma moralidade que é necessário ser respeitado.

A Procuradoria manifesta-se pela procedência da denúncia”, concluiu.

O advogado Marcelo Mendes defendeu o atleta do Grêmio.

“O atleta do Grêmio acabou sendo beneficiado pela expulsão do atleta do Corinthians. Se não fossem as imagens essa denúncia estaria inépta. O árbitro usa as mesmas palavras para narrar as condutas. O artigo 156 do CBJD diz que infração é toda ação e omissão típica e culpável. O árbitro só justifica a expulsão pelo uso de força excessiva e, com todas as vênias, nesse caso não vislumbrei. Fiquei até na dúvida se o atleta não pegou primeiro na bola. Na visão da defesa não houve força excessiva e a jogada não apresenta desportividade. Nem o árbitro caracterizou como carrinho. O atleta visou a bola, não se utilizou de meio ilegal, não houve antidesportividade. Entende a defesa que cometeu sim uma infração técnica e não uma infração disciplinar tipificada. A defesa entende que o caráter punitivo pedagógico já foi atingido e pede a absolvição”.

Já o defensor Daniel Bialski representou os denunciados do Corinthians, contextualizou a situação do clube na competição e na partida e sustentou.

“Nem o Corinthians, nem o Alessandro e nem o presidente estão satisfeitos por estarem aqui sendo julgados, mas o ânimo na partida não era normal. O jogador Bruno sequer deveria ter sido expulso. Jogada que pode ter sido com força desproporcional mas nessa jogada não se verifica qualquer tipo de dolo excessivo, agressividade ou vontade de machucar. Alguns atletas chegam atrasados e a imprudência acaba gerando a expulsão. Já foi punido com a automática e se requer sua punição somente nessa partida de suspensão.

Presidente Duilio , o árbitro copia e cola o que teria dito o presidente Duilio e o Alessandro. O que houve sim foi um bate-boca reclamando pelo erro grosseiro ocorrido naquela partida. A prova trazida mostra que ele errou mas não ofendeu o árbitro. Ele nunca teve qualquer processo ou acusação. Essas palavras que o árbitro disse que foi dito não condizem com sua conduta. Por absoluta falta de provas, o presidente tem que ser absolvido”, disse a defesa, que seguiu.

“O gerente Alessandro foi punido há um ano por entrar em campo para comemorar um gol. Alessandro estava ali num estado anímico totalmente diferente. Ameaçado com sua família e revoltado por mais um erro cometido contra o Corinthians. Ele se arrependeu imediatamente e fez o pedido de desculpas assim que retornou a si e viu o que tinha feito. Não há nenhuma prova de dano efetivo, laudo ou algo que foi quebrado. Ele tem que ser absolvido no artigo 219. Também denunciado nos artigos 243-C e 243-F. O Alessandro não ameaçou ninguém. O vídeo está aí e o próprio relato do árbitro não mostra nenhum tipo de ameaça e a defesa pede a absolvição. O artigo 243-F por ofender e o 258-B por invadir, os fatos são incontroversos e o pedido da defesa é pelo princípio da absorção e seja apenado no caput do artigo 258 por conduta contrária à ética”, encerrou.

Como votaram os auditores:

Relator do processo e primeiro a votar, o auditor Rodrigo Raposo anunciou seu voto e justificou.

“Ao atleta Bruno Alves, do Grêmio, típica jogada violenta com carrinho em lateral que trançou o atleta adversário. Apeno com uma partida de suspensão no artigo 254. Já o Bruno Citadini carrinho que atingiu o tornozelo em velocidade e um lance mais gravoso. Merece uma reprimenda mais acentuada. Respeitando a primariedade do atleta, aplico a pena de duas partidas de suspensão no artigo 254.

Alessandro é ex-atleta experiente e tem desempenhado já a bastante tempo a profissão de dirigente. Me chamou bastante atenção pela agressividade e raiva que transpareceu no desenrolar dos fatos. Ele se colocou numa redoma de seguranças. Praticou a infração disciplinar protegido por um número considerável de seguranças. Quanto ao fato em si, temos como prova a prática de ofensas no 243-F. Aplico a pena de 30 dias de suspensão na forma do 243-F. Em relação a invasão no 258-B, me pareceu a mais gravosa Aplico 60 dias de suspensão no 258-B e, considerando a forma tentada no artigo 157, reduzo a pena pela metade e aplico 30 dias. Em relação ao 219 não há como aplicar qualquer punição e absolvo. Na ameaça acredito que foi no calor do momento pelo nervosismo e absolvo no artigo 243-C.

Ao presidente Duilio estou absolvendo no 258-B por não ter prova que efetivamente houve a tentativa de invasão. No artigo 243-F considero que a finalidade foi a ofensa. Aplico 15 dias de suspensão no 243-F e multa de R$ 10 mil”, explicou.

Os auditores Cláudio Diniz, Bruno Tavares, Alexandre Beck e o presidente Luis Felipe Procópio acompanharam o entendimento e dosimetria aplicados pelo relator e a decisão foi proferida por unanimidade dos votos.

Seguranças identificados e também punidos:

Identificados pelo clube a pedido do STJD, os seguranças Ricardo Pereira e Carlos Ribeiro foram denunciados por tentativa de invasão e ameaça. Também defendidos pelo advogado do Corinthians, ambos foram absolvidos na denúncia de ameaça e suspensos por 30 dias na invasão descrita no artigo 258-B.


As informações de cunho jornalístico produzidas pela Assessoria de Imprensa do STJD não produzem efeito legal.